Korach: Ao Final Todas Nações São Santas
Korach em sua rebelião acabou por revelar a arquitetura de Ha'Shem para redenção de um mundo, sem Cristo, sem Alah, sem Buda, etc.. No reino do Mashiach, as identidades culturais dos povos permanecerão porém, todos não se converterão ao judaísmo e todos serão santos.
Korach está no epicentro de uma das maiores crises políticas e "teológicas" da Torá: a rebelião dele contra Moshé.
Ao afirmar que "toda a congregação é santa" (Bamidbar 16:3), ele tentou impor uma santidade plana, onde a abolição das hierarquias funcionais equivaleria à uma 'justiça de D'us'.
Ele argumentava que, se todos estiveram no Sinai, ouvido a voz de Deus, todos deveriam ter acesso igual ao serviço sagrado, uma espécie de somos todos iguais perante D'us e ninguém pode se constituir superior a ninguem: "todos somos igualmente santos".
Moshé de imediato diagnóstica o erro de percepção: O "ser", levita, e o "ser" santo. Ao dizer que D'us revelaria "quem Lhe pertence" e "quem é santo" (16:5), Moshé apontava para os Levitas. O status deles é uma designação ontológica nata, uma propriedade irrevogável de origem (filhos de Levi) para o serviço técnico do mishkan. Não se trata de mérito pessoal, mas de uma escolha de Ha'Shem.
Já a condição de santidade (Ha-Kadosh), Moshé é uma decisão de submissão em amor à D'us, ao cumprir a Torá!! A linhagem de Aarão (os Cohanim) foi escolhida por Ha'Shem para esta santidade, não é um privilégio político, mas uma condição existencial obrigatória para suportar a proximidade de Hashem para aproximar todos de D'us, e preparar o caminho da Gaulá (redenção de todas as coisas).
A rebelião de Korach, portanto, não era uma luta por igualdade, mas uma tentativa de anular as distinções que D'us estabeleceu para que o mundo chegasse a redenção.
A verdadeira santidade não se conquista com cristianismo, Islamismo, etc. mas, pela aceitação do papel que cada um recebe neste mundo, em obediência aos mandamentos (Torá).
O incrível é que nessa rebelião Korach revelou a arquitetura da redenção, veja:
Se D'us criou as nações e permitiu variedades culturais e de habitos imensas, por que íria exigir conversão de todos aos judaísmo, para que todos fossem santos (como na visão de Korach)?
Os profetas revelaram que, no Reino do Mashiach, com o afastamento definitivo do yetzer hará (a inclinação para o mal), a própria definição de "viver uma vida espiritual" sofrerá uma mutação (Zc 14.9; Is 11.9, Ez 37.14). No Talmud, Sukah 52a, diz:
No futuro, o Santo, Bendito seja Ele, TRARÁ o Yetzer Hara E O MATARÁ diante dos justos e dos ímpios. Para os justos, parecerá uma montanha; para os ímpios, parecerá um fio de cabelo.
Na era atual, que os sábios chamam de Olam HaZeh (este mundo), a espiritualidade é resistência, uma luta constante contra a matéria, o ego e a ignorância. É o esforço defensivo, estabelecimento de cercas, onde cada ato de santidade requer jejum e batalha.
Porém, nos dias do Mashiach, e o profeta Zacarias (13:2) profetiza que Deus removerá o espírito de impureza da terra.
Assim, como será viver uma "vida espiritual" nesse tempo?
O que hoje exige jejuns, batalhas morais e esforço imenso para romper a escuridão do mundo, na geulá (redenção) será tão natural quanto respirar.
ENTÃO TODOS SERÃO SANTOS!!! Korach tinha razão?
Quando no reino do Mashiach, a casca das religiões institucionais cairá, pois a evidência da verdade tornará os dogmas ridículo e vergonhosos. Conforme a visão de Chazal, o mundo experimentará uma recalibragem espiritual profunda.
O profeta Sofonias (3.9) declara:
Então darei lábios puros aos povos, para que todos invoquem o nome de Ha'Shem e O sirvam em uníssono.
Isso não significa a extinção das culturas, mas sua purificação: cada nação servirá a D'us com sua própria voz, traduzindo a verdade divina em seus próprios idiomas e expressões.
O Cristianismo deixará de existir como sistema dogmático, abandonando a idolatria e seguirá a Torá (Instrução), a lei de Moshé, e transicionará para o monoteísmo puro da Bíblia hebraica. O Rambam (Mishneh Torá, Hilchot Melachim 11:4) ensina que as nações que seguem caminhos errados se voltarão para o verdadeiro conhecimento de D’us.
O incrível dessa arquitetura é que o mundo não se tornará judeu no sentido civil ou religioso tradicional. Hashem não deseja o igualitarismo estéril de Korach. Todas as nações e culturas manterão suas identidades vivas, seus idiomas purificados, suas culinárias lícitas e suas expressões artísticas conforme a Torá. A humanidade servirá a D'us em sua própria identidade, operando como os ramos diversos da mesma árvore, enxertados na raiz de Israel.
O Midrash (Yalkut Shimoni, Isaías 60) diz que no futuro as nações trarão seus tesouros culturais a Jerusalém como presentes, e esses tesouros serão santificados e integrados ao serviço no templo. A arte, a música, a ciência, tudo o que foi criado de bom pelas nações será elevado e purificado.
Por fim, o argumento de Korach finalmente se cumpre, mas através da estrutura que ele combateu, não uma igualdade estéril, mas no entendimento de que o coração não é menos importante que o pulmão!
Na gueulá, todos os povos da Terra serão, de fato, santos. Contudo, a naçãosantacontinuará sendo Israel e de Tzion sairá a palavra de D’us e todas as nações participarão do serviço de adoração à D'us. E se cumprirá a palavra de Zacarias:
E Hashem será rei sobre toda a terra; naquele dia Hashem será Um e o Seu nome será Um. (14:9)
BH!!

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