Chukat e o Mito Cristão do Mashiach (Rei e Sacerdote)



A Parashat Chukat traz a arquitetura da Redenção de forma incrível e revela o mashiach ben Yosef  e o Mashíach ben David, e evidência  a mitologia cristã do messias rei e sacerdote. 

 A mecânica do ritual da Novilha Vermelha é minuciosas e misteriosas ao mesmo tempo:  muitis passos e é um decreto sem um esclarecimento de seu propósito,  parecendo uma formula maluca para alguns. Ela é classificada como um Chok um decreto  que transcende a lógica humana racional. 

Agora veja bem:

Para este serviço, D'us não escolhe Aarão (o Sumo Sacerdote), mas sim seu filho Eleazar. Aqui Chazal (nossos Sábios) explicam que o ritual da Novilha Vermelha purifica o impuro, mas torna impuro o puro (quem prepara a água. 

Por um lado Aarão precisava manter sua pureza absoluta para o Tabernáculo, e também havia a necessidade de retificar o pecado do Bezerro de Ouro (no qual Aarão esteve envolvido, mas Eleazar não). Por outro, Eleazar é preciso se que impurifique por decreto de Ha'Shem, por fazer a água purificadora. Mas, por que isso?

Primeiramemte veja como funcionava

Eleazar deveria PRESENCIAR (Ação Visual) a imolação: a Torá enfatiza o uso dos olhos de Eleazar durante o processo. O olhar do sacerdote valida o sacrifício. Ele deveria testemunhar duas etapas executadas por outros levitas, pois assim diz da shechitá: "e será degolada diante dele" (Nm 19:3). Rashi explica que Eleazar deveria supervisionar o ato atentamente. A Queima (Srefá): O texto diz "e queimará a novilha diante dos seus olhos" (Nm 19:5). 

O local para realização desses dois atos era importante: também era importante Eleazar deveria se posicionar de modo a olhar diretamente para a entrada do Mishkan (Tabernáculo) . O seu campo de visão precisava translúcidar o profano exterior com o sagrado interior. (O ritual ocorria totalmente fora do acampamento, mais tarde, no Monte das Oliveiras).

Enquanto outros faziam o trabalho pesado de conduzir, abater e queimar, as ações mais sagradas eram exclusivas de Eleazar.

Antes de prosseguir veja que são duas pessoas (Aarão  e Eleazar) com duas funções diferentes (preparação da água purificadora e asperjasor da mistura) diferentes, para um só propósito, purificação.

Seguindo, logo após a imolação, antes que o sangue coagulasse, Eleazar deveria molhar o dedo indicador direito no sangue e salpicá-lo sete vezes em direção à entrada do Mishkan.

Enquanto a novilha queimava e o fogo, Eleazar deveria pegar cedro, hissopo e lã vermelha e lançá-los nas chamas.

Após isto, Eleazar, o sacerdote puro, operou a criação de uma cinza capaz de purificar qualquer ser humano contaminado pela morte; mas, ao fazê-lo, ele próprio saiu impuro desse processo. Ele doou sua pureza para criar o remédio da humanidade. Aarão utilizará a mistura para purificar quem se aproximar (ehitkarav). Ela deriva da raiz ק-ר-ב (k-r-v), que está ligada à ideia de diminuir a distância física ou de consciência de Ha'Shem.

Essa mecânica da preparação da água purificadora faz ligação da pessoa a Ha'Shem fala dos dois ungidos (mashiach).

Essa cerimônia é o arquétipo do processo da redenção final, pretipificada no Talmud  com a missão do Mashiach ben Yosef  e  Mashíach ben David.

Veja o paralelo de funções:

Aarão: sacerdote principal, que aplica a mistura para purificar quem se aproxima,  lehitkarev. Sua função é  trazer o povo de volta à pureza, como o Mashiach ben David, que completa a redenção e estabelece o reino eterno.

Eleazar: sacerdote secundário, que realiza o trabalho pesado e se torna impuro ao criar o remédio. Sua função é doar sua própria pureza para gerar a cura, como o Mashiach ben Yosef, que sofre e se sacrifica para preparar o caminho da redenção.

E o Mashiach sacerdote existe? Como pode se ele é  da tribo de Judá?

Essa questão é comumente mal compreendida por causa da mitologia cristã. Para eles o messias é deus e será rei e sacerdote, baseando-se em varios textos da bíblia cristã:

"O Senhor jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque." Salmo 100.4

"Ele mesmo edificará o templo do Senhor e será revestido de majestade; assentará no seu trono e dominará, e será sacerdote no seu trono..."  Zacarias 6.13

Vamos a verdade!

Como o Mashiach ben David que é da tribo de Judá, pode ser Kohen?

A resposta de Chazal é não, com base em dois princípios irrevogáveis. As tribos são mutuamente exclusivas para funções específicas!!

A Torá é inequívoca:

A realeza (meluchá) pertence a Judá Gênesis 49:10: "O cetro não se apartará de Judá"; e a promessa a David em II Samuel 7. E o sacerdócio (kehuná) pertence a Levi/Aarão (Shemot 17.1-5;  18.1-7).

Nenhuma pessoa pode exercer ambas as funções simultaneamente. Isso é uma lei estrutural da Torá. O próprio rei David, embora tivesse grande santidade, não podia oferecer sacrifícios no Templo. Isso era função exclusiva dos Cohanim.

Em Horayot 11b discute se um Kohen pode ser rei, e a resposta é: ele pode ser rei apenas se for da tribo de Judá, mas então ele é rei que também é Kohen? Não — a realeza e o sacerdócio são funções separadas. O rei Saul (de Benjamim) ofereceu sacrifício e foi punido (I Samuel 13.8-14) por usurpar a função sacerdotal. O rei Uzias tentou queimar incenso no Templo e foi acometido de lepra (II Crônicas 26.16-21). A lição é clara: a função sacerdotal não pode ser exercida por quem não é Kohen.

O profeta Ezequiel (34.23-24; 37.24) e Jeremias (23.5; 33.15) são claros: o Mashiach virá de David, que é de Judá. Em Sucá 52a-b se discute esse tema e, em nenhum lugar, sugere que o Mashiach ben David seja Kohen, no sentido institucional. Ele é rei:"E ele reinará como rei e prosperará" (Jeremias 23.5).


Então qual o papel sacerdotal do Mashiach?

O Mashiach ensinará Torá a toda a humanidade (Isaías 2:3 "Pois de Sião sairá a Torá"). Ele não oferece sacrifícios físicos; ele ensina a retidão que torna os sacrifícios espirituais possíveis. 

O Talmud (Bava Batra 15b) diz que o Mashiach sofrerá e carregará os pecados do povo no sentido de suportar as consequências do exílio. Isso é diferente de oferecer sacrifício; é uma intercessão pedagógica: ele ensina o caminho do arrependimento, e o arrependimento é a forma definitiva de expiação (Talmud Yoma 86a)!!

No Terceiro Templo, os kohanim (da tribo de Levi) continuarão apresnetando os korbanot (Ezequiel 40–46). O Mashiach, como rei,  instrui (Torá) e governa, mas não o executa atos proprios do Kohen. Ele é o cabeça do governo, não o sacerdote.

O que Chazal e o Talmud dizem sobre a palavra kohen, demonstra que em alguns contextos ela não se refere apenas ao 'sacerdote' levítico, mas a alguém que exerce a função de lehitkarev, isto é, aproximar, trazer para perto.

Assim, para não alongar o texto, a palavra "Kohen" tem a raiz hebraica כ־ה־ן (k-h-n) pode ser entendida como “servir” ou “aproximar”. O Midrash e alguns comentários rabínicos explicam que o papel do kohen é lehitkarev, é de aproximar o povo de D’us por meio de korbanot (imolação ritualística), bênçãos e instruções. Desta forma, “kohen” não é apenas um título institucional, mas uma função espiritual de mediação.

Mas, os que estão com a mitologia cristã  na cabeça ou os que são soli escriptura e desprezadores da Torá Oral, dizem: 
Salmo diz: “Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque.”

Agora veja exemplos fora da linhagem levítica:

Melquisedeque (Bereshit 14:18) é chamado “kohen le-El Elyon” (sacerdote do Deus Altíssimo), embora não seja levita. Isso mostra que “kohen” pode designar alguém que exerce a função de intercessor ou mediador, sem vínculo com Aarão. 

Kohen como instrutor espiritual: “Os lábios do kohen guardam o conhecimento, e da sua boca se busca a instrução, porque ele é mensageiro do Senhor dos Exércitos.” Malaquias 2.7. Aqui, o papel do kohen é claramente ensinar e aproximar o povo da Torá, não apenas oferecer sacrifícios. Em Sotá 15b reforça que o kohen é aquele que “faz o povo se aproximar da santidade”.

 Em alguns contextos, “kohen” é usado para líderes ou oficiais que exercem funções de mediação, como em II Samuel 8.18, os filhos de Davi são chamados “kohanim”, mas não eram sacerdotes levíticos — aqui o termo significa ministros ou oficiais.

Por fim, Israel é declarado como “reino de sacerdotes”!! Porém, 11 tribos não têm  promessa sacerdotal. E como fica o sacerdócio exclusivo de Levi?

Shemot 19.6: “E vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa.” Aqui, “sacerdotes” (kohanim) não significa que todo Israel exerce o sacerdócio levítico, mas que todo o povo tem a função de lehitkarev, aproximar-se de Deus e ser mediador da santidade diante das nações. No talmud se explica que Israel inteiro é chamado a viver como mensageiro espiritual.

Assim, Chukat revela redenção: Eleazar prapara para purificação, Aarão aplica; Mashiach ben Yosef prepara para redenção, ben David completa a redenção final como rei e um levita, no Templo, como o sacerdote.

O mitologia cristã, criou um caminho completamente equivocado e contrário às Sagradas Escrituras.

A quem Ha'Shem deu as Sagradas Escrituras, e a quem ele consituiu reino de sacerdotes?

BH!!

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