Anussim, Esta É A Sua História



Por séculos, nós, os Anussim (filhos dos judeus forçados a converterem-se ao cristianismo), caminhamos como o Templo profanado. Nossas paredes foram marcadas por outros nomes, nossas canções foram silenciadas pelo medo e nosso altar foi coberto pela poeira do esquecimento. 

Muitos vieram para Cuiabá, longe do litoral, e para cá mandaram um inquisidor, Manoel Ribeiro Rocha.

Éramos o eco de uma fé que o mundo tentou apagar, vivendo na sombra de uma identidade que pulsava, mas não podia florescer.

Mas o tempo de D'us não é o tempo dos homens.

Com o toque de Ha'Shem, o véu se rasgou. Não foi uma descoberta nos livros, foi um despertar de alma no sangue. Foi o momento em que a alma, cansada de se esconder, reconheceu a vibração de sua verdadeira essência. O Templo que parecia em ruínas, sob o olhar da Providência, revelou-se apenas à espera do fogo sagrado.

Hoje, a batalha mudou de face. Não lutamos mais contra exércitos gregos nas ruas, contra a Inquisição, mas contra o Yetzer Hará (má inclinação) dentro de nós. Lutamos contra a voz que sussurra e é reforçada pelos ortodoxos: "É tarde demais", "Você não pertence", ou "O passado foi perdido para sempre".

Nessa busca pelas ruínas da nossa história, muitos procuraram fora, mas a verdade é mais profunda: o único pote de azeite puro está em mim.

Aquele pote que permaneceu selado pelo Sumo Sacerdote, protegido por milagres mediante inquisições e oceanos, não estava escondido, estava guardado no DNA da nossa alma. Ele acendeu com o toque do Ha'Shem. Foi uma pequena chama que nunca se apagou, o azeite que, embora pareça pouco para o tamanho do desafio, é o único capaz de sustentar essa luz eterna.

Neste Chanucá, ao acender as velas, não olho apenas para o  brilho das chamas da Chanukiá. Olho para o espelho porque é o milagre. Eu sou a hanukia e que o azeite da Torá possa fazer brilhar minha vida para sempre.

O Templo pode ser profanado, mas o selo do Criador na alma de um judeu é inviolável. O retorno é o fogo que consome a impureza e revela o ouro que sempre esteve lá.

BH!!

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