Vayerá: A Força da Reconciliação


O que é  maior: o ego ou seu propósito diante de Ha'Shem?

A Parashá Vayerá nos apresenta o ápice da vida de nosso patriarca Avraham: sua profunda intimidade com Hashem, sua audaciosa defesa de Sodoma e Gomorra e o ápice supremo de sua fé, a Akedat Yitschak (a amarração de Itzchak). No entanto, entre esses eventos impressionanres, um versículo aparentemente menor guarda um dos segredos mais poderosos para a construção do mundo: o poder da reconciliação.

Indo direto ao fato, após a disputa que levou à separação entre Avraham e seu sobrinho Ló, e após Lot ser capturado durante uma guerra, a Torá nos relata:

 E ouviu Avraham que seu irmão [אָח] [seu sobrinho, Ló] havia sido levado cativo, e armou seus discípulos, nascidos em sua casa, trezentos e dezoito, e perseguiu [os reis] até Dã." (Bereshit 14:14)

Por que [אָח ] "irmão"? Rashi, baseado no Midrash, imediatamente ilumina este ponto: A palavra irmão nos ensina que, apesar de tudo, Avraham não guardou rancor ou lembrança desfavorável de Lot. 

Ele se lembrava do seu vínculo de família,  de um irmão ser responsável pelo outro. Lot havia se afastado, escolhido morar perto de Sodoma (uma cidade de maldade), criando uma separação de princípios da Torá e, também, física do acampamento sagrado de Abraão. No entanto, no momento da crise, Avraham não hesitou. Ele não disse: "Ele fez sua escolha, que sofra as consequências". Pelo contrário, ele se reconciliou através da ação.

Este é o primeiro nível do poder da reconciliação: a ação precede o sentimento. Avraham não esperou que seu coração se aquecesse naturalmente por Ló. Ele agiu como um irmão, e através dessa ação, o título de "irmão" se tornou uma realidade novamente. O Chafetz Chaim ensinava que a maneira de eliminar a aanimosidade ou ódio sem causa (sinat chinam) é através de atos de "bondades em causa" (chessed chinam). Avraham é a personificação disso.

Quantas vezes pos razões pequenas, questões de mero ponto de vista, nos afastamos de um irmão!! Aí,  é  hora de atos de "bondades em causa" (chessed chinam), reaproximação reconciliação de vinculos maiores. 

Mas a lição mais profunda vem do evento seguinte, na própria porção Vayerá. Ha'Shem decide destruir Sodoma e Gomorra. E a quem Ele revela Seu plano?

E Hashem disse: 'Ocultarei Eu de Avraham o que estou para fazer?'" (Bereshit 18:17)

Por que Ha'Shem confia tanto em Avraham a ponto de compartilhar com ele o julgamento de D’us? Os sábios explicam que foi precisamente por causa de sua conduta com Lot. Avraham, ao se reconciliar e resgatar aquele que havia se desviado de seu caminho, imitou o atributo de Ha'Shem, de Chessed (Bondade) mesclado com o de Din (Julgamento). Ele demonstrou que, mesmo em um mundo que merece julgamento, há espaço para a misericórdia, resgate, reconciliação.

O coração duro é  que impede a reconciliação é por consequência o resgate de vidas, histórias  e por consequência reconciliação.

Ha'Shem, em Sua essência, é o Reconciliador Supremo (lembre-se de Yom Kipur,  dia do Julgamento,  mas a sentença vem 10 dias após, podendo mudar o veredito. O próprio ato da criação foi um ato de reconciliação entre o espiritual e o físico, mês este é outro assunto. 

A tefilá  (oração), korban (sacrifício)  hoje em dia, e a teshuvá  são todos caminhos de reconciliação entre o homem e D'us. Ao agir como um reconciliador na terraAvraham tornou-se um parceiro de Ha'Shem no ticum, retificação de mundos (proprio e de terceiros). Ele mereceu ouvir os segredos de Ha'Shem porque provou, em sua própria vida, com ação. compreender a missão central: ticum, reparar as fraturas da criação.

O Maharal de Praga ensina que a desunião (pirud) é um estado de não-existência, enquanto a unidade (achdut) reflete a Unidade de D’us. A reconciliação não é apenas um ato social agradável; é um ato criativo e dw D’us. É trazer a centelha de Ha'Shem de volta a um relacionamento quebrado.

E o que dizer do silêncio reconciliador entre Avraham e Yitschak após a Akedá? A Torá não registra uma única palavra trocada entre pai e filho após aquele evento traumático. No entanto, o Midrash sugere que foi um silêncio de profundo entendimento,  compreensão dos dois e, também, a união em um propósito de D’us inefável. 

Às vezes, a reconciliação mais profunda vem da ação comissiva, a saber, agir de para reparar brechas, em que a ação traduz-se em palavras  que ate um cego ou mudo  percebem  as palavras não ditas, pois trata-se da aceitação compartilhada de uma história, de um amor entre irmãos que transcende a compreensão.

Vayerá nos ensina  perdoar e buscar a paz e nos tornamos parceiros de Hashem; que devemos agir ccom hessed, bondade, mesmo quando o sentimento não vem facilmente; e que a capacidade de reconciliar-se é o que nos torna dignos de receber a confiança e a revelação de D’us em nossas vidas.

Que no mérito de Avraham Avinu, saibamos buscar a reconciliação em nossas famílias e comunidades, transformando o fogo da discórdia no fogo sagrado do mishbeach que une o céu e a terra.

BH!!

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