Parashá Ki Tetsê: D'us = Alah?

 


Não estamos falando do mesmo D’us: o deus islâmico e o D’us de Israel!

A cerne deste focado texto tem um ponto de partida fundamental: a natureza da instrução do seu Deus e seu impacto na conduta dos fiéis. Assim, ao contrastar as instruções do D'us de Israel com a do deus islâmico, não se busca apenas identificar diferenças nominais, mas destacar as incompatibilidades em suas respectivas manifestações históricas e éticas, conforme expressas nos seus textos sagrados e no reflexo destes textos, a saber, conduta prescrita a seus seguidores.

Veja que, sinteticamente, queremos distinguir, com foco acadêmico, os dois modelos a partir de suas fontes sagradas, objetivos e ética de guerra.

Vamos comecar com a distinção acadêmica entre as visões do judaísmo e da teologia Islamica sobre guerra e paz.

Não se trata de polemizar, mas colocar os pontos nos is.  O Judaísmo pratica uma ética defensiva e de proposta de paz, enquanto o Islã prega uma expansão religiosa obrigatória, veja se me equivoco;

Na Visão Judaica a guerra é o  'ultima ratio' e possui ética restritiva está descrita na porção Ki Tetze (Devarim/Dt 20:10-12) é fundacional para a ética de guerra no Judaísmo:

Quando te aproximares de uma cidade para combatê-la, proclamar-lhe-ás a paz.

Esta instrução estabelece um princípio claro: a guerra é um último recurso. A análise acadêmica revela os seguintes pilares:

Exonte uma hierarquia de Mandamentos (Pikuach Nefesh)  a preservação da vida (pikuach nefesh) anula quase todos os outros mandamentos da Torá. Matar é uma violação profunda da imagem de Deus (Tzelem Elokim) em cada pessoa. 

A guerra, portanto, é uma tragédia necessária apenas para prevenir uma ameaça maior à vida.

Maimonides ao comentar Milchemet Mitzvá (Guerra Obligatória), incluiu a defesa contra um agressor imediato (como Amaleq) destaca guerras para conquistar a Terra de Israel (ordenadas por D'us) em uma época específica e sob profecia. Não se aplica a uma conquista sem fronteiras ou mundial. Era para os limites descritos em Bereshit 15.18 (Gênesis).

Existe também a Milchemet Reshut (Guerra Opcional) de expansão ou interesse nacional, sujeitas a rigorosas aprovações passando pelo Rei, pelo Sanhedrin e pelo Urim e Tumim. CONTUDO, a proposta de paz é obrigatória em todos estes casos.

Sob o aspecto 'religioso' os judeus não buscam convertidos, pelo contrário, servem de luz, e quem quer sair da escuridão vai ao seu emcontro!! 

O Judaísmo não busca converter o mundo à força. O conceito de Bnei Noach (Filhos de Noé) estabelece que um não-judeu justo que segue sete leis morais básicas tem um lugar no Mundo Vindouro. 

A missão de Israel é ser "luz para as nações" (Or L'Goyim- Isaías 42:6) através do exemplo ético e prática de vida  e não da conversão forçada. E por que eles são assim? Porque obedecem a Torá (Instrução) de Ha'Shem!! 

 Muitos outros aspectos se poderia abordar, mas numa visão introdutória, a judaica, é regulada pela Torá e é defensiva e não expansionista. Seu objetivo é garantir a soberania e segurança do povo judeu para que possa viver de acordo com a Torá, servindo como um modelo ético para a humanidade, e não dominá-la ou expandir o judaísmo.

Já na visão Islâmica, em oposição 'lógica'  a Jihad e a Expansão do Dar al-Islam são temas fudamentais.

Na visão islâmica clássica, baseada no Alcorão, Hadith e na jurisprudência (Sharia), a visão é mais complexa e foi historicamente interpretada de forma expansionista.

No Islã existe a doutrina dos dois mundos, ou seja, o Dar al-Islam (Casa do Islã), que são territórios sob governo muçulmano e lei Sharia, e o Dar al-Harb (Casa da Guerra), que são oa territórios não-islâmicos, com os quais existe um estado de guerra latente até serem incorporados ao Dar al-Islam.

Já o conceito de Jihad é a "jihad maior" é a luta espiritual interior. E a "jihad menor" (jihad bis saif,  jihad pela espada) é uma obrigação da comunidade (fard kifaya) para expandir ou defender as fronteiras do Islã.

Não é uma interpretação mas uma ordem escrita no Alcorão.  Existem regas de tolerância por exemplo a 2:256 "Não há compulsão na religião") e outras regras que de guerra como na 9:5 "Matai os idólatras onde quer que os encontreis". 

Os Hadith, ditos do Profeta Maomé, encorajam a luta pela causa de Allah. A recompensa para o shaheed (mártir) é detalhada como um lugar privilegiado no Paraíso. Portanto,  valoriza-se e morte e não a vida.

Tratamento dado ao Não-Muçulmano, no Dar al-Islam, "Povos do Livro" (judeus e cristãos) é que podem viver como dhimmi (protegidos), mas com um status inferior e pagamento de um imposto (jizya). Outras religiões não têm esse direito.

Assim,  a visão islâmica clássica é universalista e expansionista. Seu objetivo teleológico (final) é a submissão de toda a humanidade à vontade de Allah (Islã neste sentido significa "submissão"), seja por conversão, seja por dominação política sob a Sharia. A paz permanente só é possível sob o governo do Islã.

Portanto, nota-se que a visão de mundo inerente ao Judaísmo, codificada em Ki Tetze, é de respeito à vida, de dar uma segunda oporunidade, e possui ética restritiva à Torá, defensiva e não universalista. A visão de mundo inerente ao Islã clássico é de expansão religiosa e política, onde a paz é um subproduto da submissão, não um valor à conquista.

Portanto, não podemos estar falando do mesmo D’us ou de bipolaridade.

Só há um D’us e uma só Instrução (Torá).

BH!!

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