Do Tribunal à Torá: Shoftim São Mas Que Juízes



A palavra shoftim, traduzida como juízes, é uma adaptação que te desvia da verdade e sistema que Ha'Shem revelou na Torá.

A palavra piscina teve origem na criação de peixe e aquário no depósito artificial de água para tomar banho.

Os conceitos das palavras mudam ao longo do tempo. Sem perda de tempo, vamos pontuar este tema:

A palavra שׁפֵט (shofet) é precisa e está em perfeita sintonia com o plano de Ha'Shem para cada alma (pessoa) em sua vida na familia e na sociedade e, da sociedade em relação a cada pessoa (alma) com a consciência da ética de D’us(Torá - Instrução) 

Na perspectiva judaica e suas fontes clássicas a natureza de um shofet (שׁפֵט) não é a de um juiz no sentido moderno, mas a de uma pessoa cuja atividade identifica-se a manifestação da Torá, como palavra viva, introjetada e aplicada à vida cotidiana.

No conceito atual, juiz é uma autoridade do estado incumbida de aplicar a lei, interpretando e decidindo com imparcialidade os conflitos à luz da lei e da ética, tendo advogado e promotores como contraponto da lógica jurídica. Ocorre que Ha'Shem nao estabeleceu advogados e promotores!!! 

O alvo é: cada alma deve se elevar ao padrão da Torá (Instrução) e andar conforme esse padrão, assim, não se necessita de juízes para julgar, mas de Shoftim para instruir que seja a boa e útil vontade e Ha'Shem! Onde cada alma é  responsável  pela outra, a atuação do estado é supletiva, quase irrelevante.

O termo hebraico שפַט (shafat), a raiz de shofet, significa "julgar, governar, defender, pleitear, vingar". Assim está palavra está traduzida na Bíblia em vários contextos.

Portanto,  o alcance de shofet-juiz shafat-julgar é muito mais amplo.

 Em sua essência, o shofet é uma pessoa que decide e lidera o povo, e essa liderança é inseparável de seu conhecimento e compromisso com a Torá. Sua autoridade não vem de um cargo político, legal ou de sua nomeação mas, de sua erudição, sabedoria e vivência na pratica da Torá-Instrução.

O shofet é um talmid chacham (estudioso da Torá) que se destaca por sua capacidade de aplicar os princípios do céu para resolver os problemas da terra. Seu julgamento não é uma interpretação fria de um código de leis, mas a manifestação da justiça e da vontade de Ha'Shem. A palavra "julgar" neste contexto significa "colocar em linha, em ordem" e trazendo à retidão, tanto a vida individual quanto a vida da comunidade.

A palavras latina "Direito", vem de directum (o que é reto).

Um juiz, na concepção atual é que julga. E o Shofer, o que fazia?

A atividade de um shofet transcendia a mera resolução de disputas. Ela englobsvs:

Liderança espiritual e moral, pois o shofet orienta o povo em questões de fé e moralidade, garantindo que a nação permanecesse no caminho e ética da Torá.

A sua decisão (pesiká), eram baseadas na compreensão da Torá, que servia de precedente e guiava a comunidade.

Ele governava num sistema de ampliação gradativa de elevação da consciência para garantir que a sociedade funcionasse de acordo com a justiça de Ha'Shem. Por exemplo: junto aos portões das cidades eles, em "audiências públicas" instruiam o povo de forma natural, orientando cada demanda que aparecia, e os que assistiam, aprendiam a Torá!



Muitos dos shoftim no livro de Juízes foram levantados por Ha'Shem para livrar Israel de seus inimigos. Isso mostra que sua autoridade não se limita à "sala de audiências", mas se estende ao campo de batalha, quando necessário. 

As vitórias militares não eram vistas como uma estratégia humana, mas como a manifestação da vontade de D’us através da liderança do shofet.

O shofet é a Torá viva e encarnada.

 Sua erudição na Torá é o que lhe permite ser, ao mesmo tempo, juiz, orientador, líder e general. Não há separação entre as funções, porque todas emanam de uma única fonte: a Torá.

O Talmud (Sanhedrin 17a) discute as qualificações necessárias para ser um membro do Sinédrio, o tribunal supremo. Entre as qualidades exigidas, estão não apenas a sabedoria (erudição na Torá), mas também o temor a Ha'Shem e a humildade. Um shofet deve ser capaz de deduzir a lei de suas fontes e ter a sabedoria para aplicá-la com misericórdia. O Talmude afirma que "um juiz que julga com justiça, mesmo que por uma hora, é como se tivesse feito todo o mundo subsistir". Essa passagem eleva a atividade do juiz ao nível de uma obra cósmica, que só pode ser realizada através de uma profunda conexão com a Torá.


Rambam em Mishneh Torá, Hilchot Sanhedrin 2:1)  define a atividade de um juiz com uma perspectiva semelhante. Ele lista as qualidades que um juiz deve possuir: sabedoria, humildade, temor a Ha'Shem e aversão ao suborno e ao engano. Para o Rambam, essas qualidades são inerentes a um grande estudioso da Torá, não a um mero jurista.

Assim, o termo shofet e a atividade que ele desenvolvia não podem ser entendidos pela lente do direito  moderno. A verdadeira natureza do shofet era a de um líder e sábio, cuja autoridade e ações fluiam diretamente de seu profundo conhecimento da Torá, tornando-o um reflexo da justiça de Ha'Shem no mundo.

Por isso rezamos três vezes ao dia:

Restitui os nossos juízes como outrora, e os nossos conselheiros como nos primeiros tempos. Tira de nós a aflição e a tristeza, e reina sobre nós, depressa, somente Tu, ó Adonai, com graça e com misericórdia, com caridade e com justiça. Bendito sejas Tu, Adonai, ó Rei que amas a caridade e a justiça.

BH!!

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